segunda-feira, 29 de junho de 2009

Para reflectir...


"UM GESTO DE SILÊNCIO"
Adão Cruz

Todos nós temos os nossos desertos, pequenos ou grandes, e todos nós temos os nossos labirintos, pequenos ou grandes, simples ou complexos.
Os caminhos e os percursos entre os nossos desertos e os nossos labirintos, mais rectos ou mais sinuosos, são, ao fim e ao cabo, os caminhos da nossa vida. E esses caminhos são feitos predominantemente de silêncio.
A grande força da nossa vida reside no silêncio. O silêncio das nossas meditações, das nossas reflexões, das nossas decisões, dos nossos segredos e intimidades, dos nossos medos e coragens, dos nossos sonhos e entusiasmos, das nossas alegrias, das nossas mágoas e frustrações.
O silêncio é a primeira voz que um humano ouve quando está dentro de si.
O silêncio é o respirar do nosso íntimo, a dialéctica da nossa personalidade, o único espaço onde a mentira não cabe.
O silêncio é o relógio oculto e secreto das nossas horas.
A mágica sensatez do silêncio é o fio-de-prumo da nossa calibração.
São imensas as verdades que podemos conhecer, só por ficarmos estendidos na cama a pensar calmamente. Porque as verdades estão em nós e só o silêncio nos permite desvendá-las.
Nós somos a nossa própria teia e só o silêncio nos deixa ver e separar os emaranhados fios que a tecem.


Adão Cruz é Médico Cardiologista, Pintor e escreve assim... UM GESTO DE SILÊNCIO - Exposição de Pintura inaugurada a 6 de Maio p.p. em Oliveira de Azemeis

6 comentários:

White Angel disse...

Tia Cunhada....

O Silencio é e sempre sera de ouro... :)

Namasté :)

Tia_Cunhada disse...

Diz Confúcio "O Silêncio é um amigo que nunca trai"...

Namasté White Angel :-)

mdsol disse...

Que bom, num tempo de tanto ruído haver alguém que traz aqui a apologia do silêncio e de como é importante.
:))))

antonio - o implume disse...

O silêncio de Pilatos deixa morrer...

PAS[Ç]SOS disse...

O silêncio é importante se não levado ao extremo; ao ponto de nos fecharmos tanto no silêncio que percamos a qualidade do diálogo, que nos fechemos tanto em nós que desaprendamos a relação com o outro. O silêncio é fundamental enquanto ele for um diálogo connosco próprios, mas há que estar atentos para que não se torne um monólogo sem retorno.

Tia_Cunhada disse...

Miss Solarenga, estou cheia da poluição sonora... :-) Dalai Lama aconselha que cada indíviduo passe 10 min por dia só com a sua alma e o seu corpo...

António, tens razão. Na verdade (naquele momento, naquele dia), Jesus respondeu... Acontece que Pilatos não escutou porque desconhecia a linguagem do Silêncio...

PasÇsos, é desse silêncio que gosto (e creio que é desse que o autor fala), do diálogo connosco próprio, da reflexão. Quando alguém chega ao monólogo sem retorno, penso que aí já falamos de solidão...

Tenham um dia lindo :-)